O estudo de escrita criativa pode ser um tanto desafiador. Mesmo cursos como Letras acabam não oferecendo em seus currículos o ensino de técnicas narrativas, estruturas literárias, enfim, o pensar sobre o escrever na hora de produzir narrativa ficcional. Dentro desse contexto, escritores e curiosos da literatura usam enciclopédias e sites para o autodidatismo literário. A falta de um portal brasileiro, no entanto, sempre frustrou muitas pessoas do nicho, mas o entusiasta literário Lee Escreve quer mudar essa conversa.
O escritor e estudante de escrita criativa Lee Escreve lança recorrentemente em seu Substack matérias que podem ajudar muito a qualquer um que deseje produzir literatura ou aprender mais sobre o assunto. Suas postagens compartilham com seus leitores tudo aquilo que ele mesmo estudou. Há artigos que explicam tropos literários, tipos de narradores, arcos de personagens, mas também que indicam livros e filmes ou que discutem assuntos relevantes para o nicho. Tem até um Guia para Escrita de Ficção com Foco na Brasilidade, o “Salve o Caramelo“.
Guia Salve o Caramelo
Esse guia nasceu quando o autor, ao participar de fóruns online e grupos de escritores, notou uma discussão: a falta de uso da temática brasileira nas obras literárias. Esse sentimento é compartilhado por leitores de ficção brasileira, uma vez que mesmo obras escritas aqui acontecendo aqui, acabam usando imaginários estrangeiros.
Segundo Lee, sua experiência trouxe a visualização de pessoas defendendo o uso do Brasil e outros dizendo que não se deve ter essa obrigação de adaptar as obras às influências brasileiras. A postura de Lee perante essa realidade foi escrever o guia onde sugere a importância de valorizar as próprias influências nacionais, como o Japão e a Coreia do Sul investem forte no soft power com animes, mangás e músicas, e uma reflexão sobre o viralatismo cultural.
O guia traz, após a reflexão, sugestões de como abordar o território e as influências nacionais em sua ficção. Cenários, arquétipos de personagens, figuras e acontecimentos históricos e extrapolações fantásticas tupiniquins que podem alimentar um palco de fantasias capazes de invejar Tolkien, Rowling e George Martin.
É interessante ficar de olho, uma vez que o autor já comentou interesse em transformar esse artigo em um guia mais robusto, como um livro que ajudará novos autores surgirem e aprimorarem suas próprias técnicas enquanto valorizam a cultura e a influência brasileira.
O Começo de um Ciclo Literário
Por mais que Lee escreva de forma despretenciosa sobre seus estudos, querendo colaborar com a comunidade criativa literária brasileira, acaba por fomentar um movimento nacional que tem surgido nos últimos anos. A produção de obras textuais por autores brasileiros em território ou com influência tupiniquim tem crescido ao longo dos anos. Lee é um dos responsáveis por carregar esse movimento.
Além de fornecer insights valiosos sobre literatura, trazer dicas criativas e resenhar sobre obras estabelecidas na cultura pop, Lee também dá espaço a pequenos autores. Um exemplo é o artigo que publica sobre Trovão Vermelho, uma fantasia urbana brasileria que ocorre em Porto Alegre.
Por sua vez, Trovão Vermelho faz parte de um ciclo de obras nacionais em plataformas como Tá no Gibi, Estante Nacional e Yominara. Ao resenhar sobre a light novel, Lee ajuda a esquentar todo um campo cultural que, por sua vez, produzirá mais textos – literários ou sobre literatura. Esses novos autores também poderão ser leitores de Lee.
O Guia Salve o Caramelo e a Newsletter Lee Escreve se tornam, então, peças importantes do novo jogo da cultura nacional literária. Um nicho que ainda está restrito aos escritores e poucos leitores, mas espera-se que ganhe espaço no dia a dia brasileiro.
Você também devia ficar de olho
Pessoas que se interessam por cultura, arte e literatura podem usar a newsletter de Lee para além de uma fonte de curiosidade. Sendo um hub criativo, é uma boa forma de estudar e se aprimorar como escritor e leitor, mas também ponto de partida para conhecer e apoiar escritores.
Lee é um agente em crescimento dessa nova realidade da cultura brasileira. Um trem que ainda está partindo da estação e que ainda tem tempo para você embarcar. A história é atravessada por diversos movimentos artísticos e fazer parte de um, como agente ativo ou passivo, é uma oportunidade raramente flagrada.
O Papel do Lee Escreve
A newsletter acaba funcionando como um hub criativo literário. Com ensaios, dicionários de conceitos, ferramentas e dicas para escritores, Lee consegue propor como trazer a teoria literária aplicada à prática. Tudo isso mostrando também como trazer brasilidade na ficção, aplicando semiótica e estruturas narrativas na impressão da identidade cultural nacional tanto na construção de personagens quanto de tramas.
Caso você seja escritor, leitor, editor ou apenas um entusiasta/curioso da literatura, vale a pena conferir os ensaios sobre teoria da narrativa e criação literária produzidos por Lee no seu Substack: https://leeescreve.substack.com/